sexta-feira, 19 de junho de 2009

Indígenas e sua identidade étnica!


Os povos indígenas têm o direito de preservar, expressar e desenvolver livremente sua personalidade cultural, em todos os seus aspectos, livres de qualquer tentativa de assimilação. Só recentemente os diferentes segmentos da sociedade brasileira estão se conscientizando de que os índios são seus contemporâneos. Eles vivem no mesmo país, participam da elaboração de leis, elegem candidatos e compartilham problemas semelhantes, como as conseqüências da poluição ambiental e das diretrizes e ações do governo nas áreas da política, economia, saúde, educação e administração pública em geral. Um fato notável é o crescimento do número de indígenas no cenário político brasileiro. Somente em 2000, foram eleitos, entre vereadores, vice-prefeitos e um prefeito, 80 índios.
Mesmo assim, no que diz respeito à identidade étnica, as mudanças ocorridas em várias sociedades indígenas, como o fato de falarem português, vestirem roupas iguais às dos outros membros da sociedade nacional com que estão em contato, participarem da política, utilizarem modernas tecnologias (como câmeras de vídeo, máquinas fotográficas e aparelhos de fax), não fazem com que percam sua identidade étnica e deixem de ser indígenas.

Desenvolvimento Moral


Para compreender melhor o desenvolvimento moral, segundo Piaget, realizei algumas pesquisas sobre o tema e pude constatar que a agressividade faz parte do processo de desenvolvimento moral, pois a criança passa por uma fase pré-moral, caracterizada pela anomia, coincidindo com o "egocentrismo" infantil e que vai até aproximadamente 4 ou 5 anos. Gradualmente, a criança vai entrando na fase da moral heterônoma e caminha gradualmente para a fase autônoma.
Na fase de anomia, natural na criança pequena, ainda no egocentrismo, não existem regras e normas. O bebê, por exemplo, quando está com fome, chora e quer ser alimentado na hora. As necessidades básicas determinam as normas de conduta. No indivíduo adulto, caracteriza-se por aquele que não respeita as leis, pessoas, normas.
Na moralidade heretônoma, os deveres são vistos como externos, impostos e não como obrigações elaboradas pela consciência. O Bem é visto como o cumprimento da ordem, o certo é a observância da regra que não pode ser transgredida nem relativizada por interpretações flexíveis. A responsabilidade pelos atos é avaliada de acordo com as conseqüências objetivas das ações e não pelas intenções. O indivíduo obedece às normas por medo da punição. Na ausência da autoridade ocorre a indisciplina.
Na moralidade autônoma, o indivíduo adquire a consciência moral. Os deveres são cumpridos com consciência de sua necessidade e significação. Possui princípios éticos e morais. Na ausência da autoridade continua o mesmo. É responsável, auto-disciplinado e justo. A responsabilidade pelos atos é proporcional à intenção e não apenas pelas conseqüências do ato.
Na medida em que a criança cresce, ela vai percebendo que o "mundo" tem suas regras. Dessa forma, não consigo concordar que todas as atitudes de agressividade das crianças sejam somente devido ao processo de desenvolvimento moral, pois, ainda segundo Piaget, os valores morais são construídos a partir da interação do sujeito com os diversos ambientes sociais e será durante a convivência diária, principalmente com o adulto, que ela irá construir seus valores, princípios e normas morais. Por isso que geralmente os alunos mais agressivos são filhos de pais também agressivos, mas não por uma questão de genética, mas sim por conviver diariamente com os princípios da sua família.
Tendo conhecimento que as crianças e adolescentes seguem fases mais ou menos parecidas quanto ao desenvolvimento moral, cabe ao educador compreender que há determinadas formas de lidar com diferentes situações e diferentes faixas etárias. Cabe a ele, ainda, conduzir a criança na transição das fases, encaminhando-se naturalmente para a sua própria autonomia moral e intelectual, mas o contexto familiar influencia positiva ou negativamente neste desenvolvimento.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Conhecendo a Hidrocefalia!

Durante as pesquisas realizadas para o estudo de caso da interdisciplina de Educação de Pessoas com Necessidades Especiais, descobri que o aluno que eu estava pesquisando nasceu com hidrocefalia. Para saber se a causa de seus problemas eram em decorrência da hidrocefalia, comecei a pesquisar sobre a doença e suas sequelas e aprendi que a hidrocefalia ocorre quando o líquido da medula não pode circular normalmente. Este líquido acumula-se no cérebro e, caso não seja controlado, pode acarretar no surgimento de graves conseqüências. Esta situação se resolve introduzindo-se cirurgicamente um tubo fino com uma válvula de pressão no interior dos ventrículos cerebrais.
Esta técnica, de modo geral, controla a hidrocefalia, direcionando o líquido para a cavidade abdominal ou para uma veia no pescoço, que leva ao coração. De acordo com Martín (2004), "é a condição patológica caracterizada pelo aumento da pressão intracraniana. Produz-se como conseqüência de um desequilíbrio entre a formação e a absorção do líquido cefalorraquidiano (LCR)". Neste caso, a caixa craniana cresce e a cabeça aumenta de tamanho.
As causas mais freqüentes, segundo o Coletivo de Autores (2001), são, "secreção aumentada de LCR, a obstrução das vias de circulação do LCR, seja no interior do sistema ventricular, seja na sua saída para o espaço subaracnóideo e o bloqueio na absorção do LCR". Dentre estas três causas, a mais freqüente é a obstrutiva (não comunicante).
De acordo com os mesmos autores, algumas sequelas como as de ordem motora surgem, como por exemplo, déficits de equilíbrio, na coordenação ampla e fina.
Na pesquisa realizada, constatei que algumas crianças com hidrocefalia podem ter dificuldades cognitivas, deficiências físicas ou possibilidade de outros problemas de saúde, atrasos no desenvolvimento, problemas de aprendizagem , problemas na fala, problemas na visão e dificuldade de memória, como é o caso do menino que eu estou acompanhando.
Os pais e professores deverão estar conscientes das complexidades de viver com hidrocefalia e assegurar que a sua criança receba o acompanhamento adequado, as intervenções e terapias necessárias. Na escola, eu acredito que ninguém saiba o motivo das dificuldades do menino, pois em documento nenhum esta informação aparece. Agora eu conheço as características desta doença, consigo compreender a sua situação e irei divulgar entre os seus professores um pouco de seu diagnóstico e da consequencias que ele tem em função da doença.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Aprendendo sobre o Autismo!


Eu sempre tive muita vontade de saber mais sobre o autismo e com as leituras realizadas para a Interdisciplina de Educação de Pessoas com Necessidades Especiais e com as pesquisas feitas, aprendi que autismo é uma patologia diferente da deficiência mental ou da lesão cerebral, embora algumas crianças com autismo também tenham essas doenças.
O autismo é um transtorno mental que afeta a comunicação e o comportamento humano. O termo autismo refere-se ao significado: ausente ou perdido. Sinais de autismo normalmente aparecem no primeiro ano de vida e sempre antes dos três anos de idade.
A desordem é duas a quatro vezes mais comum em meninos do que em meninas, mas a causa do autismo não é conhecida.
Estudos de gêmeos idênticos indicam que a desordem pode ser, em parte, genética, porque tende a acontecer em ambos os gêmeos se acontecer em um. Embora a maioria dos casos não tenha nenhuma causa óbvia, alguns podem estar relacionados a uma infecção viral (por exemplo, rubéola congênita ou doença de inclusão citomegálica), fenilcetonúria (uma deficiência herdada de enzima), ou a síndrome do X frágil (uma dosagem cromossômica).
Uma criança autista prefere estar só, não forma relações pessoais íntimas, não abraça, evita contato de olho, resiste às mudanças, é excessivamente presa a objetos familiares e repete continuamente certos atos e rituais.
Muitas vezes, o autismo é confundido com outras síndromes ou com outros transtornos globais do desenvolvimento, pelo fato de não ser diagnosticado através de exames laboratoriais ou de imagem, por não haver marcador biológico que o caracterize, seu processo de reconhecimento é dificultado, o que posterga a sua identificação.
Grande parte dos profissionais que trabalham com autismo, dizem que faz parte do tratamento recomendado para portadores de autismo o recebimento de educação especial, com aprendizagem intensa e gradual, acompanhada de um controle intenso do comportamento da criança. O enfoque atual é fazer com que estas crianças aprendam conceitos básicos para que funcionem o melhor possível dentro da sociedade. As escolas especializadas, atualmente, individualizam o tratamento para cada criança, tornando assim o aprendizado bem mais específico e eficiente.
As pessoas com autismo são capazes de crescer, aprender e desenvolver-se. Com a ajuda adequada, as crianças com deficiência mental e autismo podem viver de forma satisfatória a sua vida adulta.
Acredito que uma criança com autismo pode obter resultados escolares muito interessantes, mas acho que seria importante avaliar a necessidade específica da criança e seu grau de comprometimento para direcioná-la para à escola mais adequada: educação especial ou escola regular com adequação do currículo à criança.

domingo, 31 de maio de 2009

Garantia de Direitos


Nos dias 27 e 28 de maio participei da 74ª Plenária do Fórum Permanente da Política Pública Estadual para Pessoas com Deficiência e Pessoas com Altas Habilidades no RS.
Assim como já trabalhamos na interdisciplina de Necessidades Especiais, também tivemos a oportunidade de aprender mais sobre a garantia dos direitos de cada cidadão, portador ou não de alguma deficiência e percebi, com isso, a grande importância de nós cidadãos e professores de sabermos a que temos direito, tentando, com isso, entender um pouco mais de nossa sociedade e dos problemas que nossas famílias e as famílias de nossos alunos estão submetidas. Esses fóruns existem para criar uma força política para cobrar tais direitos.
Os seres humanos por si só não sentem (ou percebem) a necessidade de todos serem tratados com igualdade, por isso há necessidade do estado criar leis que diminuam as diferenças entre as pessoas, ou seja, as leis existem para que as diferenças entre negros, índios, brancos, pessoas com deficiência, mulheres sejam menores. Há necessidade de leis que garantam o acesso aos mais excluídos, mais desfavorecidos, pois nossa sociedade é historicamente excludente e preconceituosa. Mas o maior problema que vejo não é a falta de leis. As leis existem e atenderiam ao direito de todos se não fosse o descumprimento destas, infelizmente. Toda administração pública, antes de mais nada, deveria zelar pelo cumprimento dos direitos humanos!!

sábado, 23 de maio de 2009

Alunos com necessidades especiais

A partir dos estudos realizados na Interdisciplina de Necessidades Educacionais Especiais, temos aprendido muito sobre os alunos com necessidades especiais, e eu acredito que alunos com dificuldades de aprendizagem também devem ser visto com alguma necessidade especial, pois geralmente por trás desta dificuldade há uma série de questões emocionais, familiares e sociais não resolvidas.
Quando falamos em inclusão não podemos esquecer que um aluno com necessidade especial será inserido dentro de uma turma regular. A turma não pode parar de evoluir em função deste aluno, mas este aluno também não acompanhará o ritmo da turma, pois o seu ritmo é diferente.
Uma coisa que sempre me deixa com muitos questionamentos... dar a esse aluno atividades diferenciadas, dentro de suas limitações, ou proporcionar a ele as mesmas atividades do restante da turma, mas adaptada ao seu limite físico, quando forem deficiências físicas. Mas se a necessidade especial for de alguma dificuldade de aprendizagem ou deficiência mental, seria recomendado dar a esse aluno a mesma atividade dada ao restante da turma, mas como um apoio maior e talvez com um grau de exigência menor.
Já tive e tenho alunos com dificuldade de aprendizagem, por fatores familiares, sociais, psicológicos... e já tentei fazer as duas coisas: dar atividades diferenciadas e dar as mesmas atividades do restante da turma. Há alunos que aceitam tranquilamente realizar atividades dentro de sua necessidade e diferente do restante da turma, já outros não gostam e se sentem excluídos, pois os colegas sempre questionam as atividades diferentes. Geralmente faço um pouco de cada. Às vezes trabalho as mesmas atividades com material de apoio, mas em seguida dou uma mais específica para o nível dele. Não sei se estou fazendo o certo. Às vezes dá super certo, mas há dias que volto para casa frustrada por ter conseguido avançar tão pouco.
O ideal seria conseguir fazer conforme o vídeo Atendimento Educacional Especializado – Deficiência mental, que mostra uma proposta de trabalho que parte dos próprios alunos, na qual eles definem o que será estudado. Não há planejamento das aulas, pois não se sabe o que partirá dos alunos. Acredito que quando se trabalha com Atendimento Especializado isso seja o mais indicado, no entanto, dentro de uma sala regular, com conteúdos a serem desenvolvidos, não acho muito viável. Precisamos organizar as aulas de forma que todos os conteúdos da série sejam trabalhados e precisamos fazer com o que o aluno de inclusão consiga evoluir dentro de suas limitações, mas sem defasar o restante da turma...
É possível, mas não é fácil.
Precisamos reconhecer as diferenças como desafios positivos.

domingo, 17 de maio de 2009

Estádio Operatório Concreto

A partir do estudo dos Estádios do Desenvolvimento percebi que a grande maioria de meus alunos do 4º ano estão no estádio operatório concreto (dos 8 aos 11/12 anos), mas também tenho alguns alunos que teriam idade para estarem no estádio operatório formal, mas após observá-los percebi que a idade nem sempre coincide com o desenvolvimento cognitivo do aluno.
Percebi que as crianças nesta fase são capazes de aceitar o ponto de vista do outro, levando em conta mais de uma perspectiva.
Eles já têm capacidade de classificação, agrupamento, reversibilidade e conseguem realizar atividades concretas, que não exigem abstração. Durante este estágio, a criança adquire o esquema das operações como a soma, a subtração, a multiplicação, a ordenação serial e é justamente neste estádio que trabalhamos com estas operações em sala de aula, mas percebo que ainda apresenta dificuldade em operar com princípios abstratos quando eles estão ligados a objetos específicos.
Também ocorre o aperfeiçoamento dos conceitos de causalidade, tempo, espaço, velocidade, mas ainda não alcança o nível mais elevado das operações lógicas.
A criança neste estágio é capaz de superar a mudança imediata, visível e considerar a relação lógica envolvida, ou seja, adquiriu o esquema da conservação e constância dos objetos. Torna-se menos egocêntrica e a fala é empregada com o fim básico da comunicação.
Essas características são muito evidentes em meus alunos, mas nem todos estão exatamente no mesmo nível, ou seja, alguns ainda têm algumas características do estádio anterior e outros já mostram a transição para o estágio seguinte.
Neste estádio a criança começa a construir conceitos, através de estruturas lógicas, consolida a conservação de quantidade e constrói o conceito de número. Seu pensamento apesar de lógico, ainda está preso aos conceitos concretos, não fazendo ainda abstrações. Assim conseguimos compreender melhor o porquê de muitas das dificuldades de nossos alunos, proporcionando atividades que estejam de acordo com seu desenvolvimento.

Aceitar o ponto de vista de Piaget, portanto, provocará turbulenta revolução no processo escolar (o professor transforma-se numa espécia de técnico do time de futebol, perdendo seu ar de ator no palco). (...) Quem quiser segui-lo tem de modificar, fundamentalmente, comportamentos consagrados, milenarmente (aliás, é assim que age a ciência e a pedagogia começa a tornar-se uma arte apoiada, estritamente, nas ciências biológicas, psicológicas e sociológicas). Onde houver um professor ensinando... aí não está havendo uma escola piagetiana! (Lima, 1980, p. 131).

Afro-descendentes no Brasil


No enfoque III da Interdisciplina de Questões Étnico-Raciais, trabalhamos com a história e cultura dos afro-descendentes no Brasil. Para compreender a auto imagem, a identidade étnica e a auto-estima de nossos alunos realizamos entrevistas com alunos afro-descendentes. A proposta era perguntar como eles se sentiam como alunos negros na escola, mas fiquei com um pouco de receio de fazer a pergunta diretamente às crianças, pois percebi na atividade com o mosaico que eles não se auto-identificam como negros, até falam que seus avós ou pais são negros, mas eles são morenos ou bugres. Então já lembrei de um caso, há alguns anos atrás, em que uma colega professora quase foi denunciada por racismo por ter dito que a criança era negra e não morena e a criança chegou em casa dizendo que a professora tinha o chamado de negro, como se isso fosse uma coisa feia.
Devido a isso, para iniciar a entrevista, preferi não fazer a pergunta diretamente, mas perguntar qual era a sua cor, assim poderia sentir qual era a postura do aluno entrevistado frente a sua auto imagem. Percebo que quando as crianças são pequenas não sentem a discriminação, ou melhor, não têm consciência do motivo dos colegas não brincarem com eles, de ficarem sozinhos no recreio, de ficarem sem duplas, de alguns não gostarem dele. Alguns até justificam a discriminação por serem pobres, mas não por serem negros, isso mostra que ainda há uma consciência enraizada no período histórico em que ser negro é ser inferior, por isso preferem não se ver como negros por medo da rejeição, preferem não assumir a sua identidade étnica, até mesmo por que em nossa escola há poucos alunos negros, em sua grande maioria são pardos, então é mais fácil se sentir igual ao seu grupo.
Neste campo, não será demais lembrar que apenas a educação pode mudar valores, contribuindo para a valorização da diversidade e a construção de um senso de respeito recíproco entre os grupos que formam esta rica mistura de identidades culturais chamada Brasil.

domingo, 10 de maio de 2009

Método Clínico


Na Interdisciplina de Psicologia vimos algumas características dos estádios do desenvolvimento propostos por Piaget. Trabalhamos com os conceitos de aprendizagem, desenvolvimento e estádios a partir da utilização da metodologia desenvolvida por Piaget, conhecida como método clínico piagetiano.
Para a realização da atividade 6 realizamos o método com uma aluna que já sabíamos da sua grande dificuldade de aprendizagem, a escolhemos propositalmente para a realização do método, pois gostaríamos de compreender melhor suas dificuldades e poder ajudá-la. Constatamos que esta aluna, apesar de ter 10 anos, ainda tem muitas características do estádio pré-operatório, pois percebemos que muitas vezes ela respondia intuitivamente e ainda não tem a noção da conservação do número. Devido à mudança da forma, mudança da configuração perceptiva, ela pensava que a quantidade também tinha mudado.
Quando constatamos que contava as duas colunas, chegava ao total de fichas em cada uma delas, mas não sabia responder se havia a mesma quantidade, percebemos que ela ainda não adquiriu um pensamento lógico, com capacidade para fazer operações mentais. Ela não percebia que as peças só estavam em uma posição diferente, mas não alterava a quantidade, o que permite concluir que ela criança ainda não possui um raciocínio lógico reversível.
Suspeitamos que talvez seja um caso de inibição cognitiva, como nos explica a Psicopedagogia. Neste caso há uma retração intelectual e um empobrecimento de idéias, ocorrendo, em grande parte àquelas crianças que não receberam estímulos quando ainda bebes ou nos primeiros anos de vida, pois bem sabemos que a criança, à medida que evolui vai-se ajustando à realidade circundante, e superando de modo cada vez mais eficaz, as múltiplas situações com que se confronta, mas se essa criança não recebe estímulos do meio, seu desenvolvimento cognitivo fica prejudicado ou aquém ao de uma criança estimulada desde o nascimento. A mudança dos estádios ocorre devido aos ajustamentos da criança ao meio e que se vão manifestando ao longo do seu desenvolvimento.
Segundo Jean Piaget, a criança é concebida como um ser dinâmico, que a todo momento interage com a realidade, operando ativamente com objetos e com as pessoas, por isso acreditamos que a aluna C ainda não ultrapassou totalmente o estádio pré-operatório, pois recebeu (ou recebe) poucos estímulos do meio. Como as concepções infantis combinam-se às informações recebidas do meio, o conhecimento é concebido como resultado de uma interação, ficando limitado quando o sujeito não é um elemento ativo no meio em que vive.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Epistemologia Genética de Jean Piaget


A partir da leitura do texto “Epistemologia Genética e Construção do Conhecimento”, percebi que o conhecimento acontece por meio de um processo de equilibração e de abstração e não pela intervenção do meio ou por estruturas pré-determinadas. Sabe-se que, para que ocorra a aprendizagem a interação com o meio é fundamental, mas o indivíduo precisa ter estruturas construídas para assimilar os novos conhecimentos, para tanto, cada nova estrutura a ser construída irá “utilizar” as estruturas construídas anteriormente, podendo, o aluno voltar a um estágio anterior para adquirir um novo conhecimento: cada nova etapa tem inclusas as etapas anteriores.
A Epistemologia Genética de Jean Piaget vê a criança como sujeito que cria e recria o seu próprio modelo de realidade, atingindo um crescimento mental por integração de simples conceitos em conceitos de nível mais elevado ao longo de estádios. Piaget traçou então, quatro estádios nesse desenvolvimento: o estádio sensório-motor, o estádio pré-operatório, o estádio operatório concreto e o estádio operatório formal.

O que é inclusão?

A cada dia consigo compreender mais o que realmente é a inclusão e, com isso, me sinto também mais preparada para trabalhar com a diversidade.

A inclusão é :

- atender aos estudantes portadores de necessidades especiais na vizinhanças da sua residência
- propiciar a ampliação do acesso destes alunos às classes comuns.
- propiciar aos professores da classe comum um suporte técnico
- perceber que as crianças podem aprender juntas, embora tendo objetivos e processos diferentes
- levar os professores a estabelecer formas criativas de atuação com as crianças portadoras de deficiência
- propiciar um atendimento integrado ao professor de classe comum.

O conceito de inclusão não é:

- levar crianças às classes comuns sem o acompanhamento do professor especializado
- ignorar as necessidades específicas da criança
- fazer as crianças seguirem um processo único de desenvolvimento, ao mesmo tempo e para todas as idades
- extinguir o atendimento de educação especial antes do tempo
- esperar que os professores de classe regular ensinem as crianças portadoras. de necessidades especiais sem um suporte técnico.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Argumentos e Premissas!!!


Para a realização das atividades da Interdisciplina de Filosofia da Educação, precisamos compreender melhor alguns conceitos muito importantes para o desenvolvimento das atividades que se seguirão. Para tanto, busquei informações sobre o significado de argumento, premissa e conclusão.

Aprendi que um argumento é um conjunto de enunciados, mas não um conjunto qualquer de enunciados. Num argumento os enunciados têm que ter uma certa relação entre si e é necessário que um deles seja apresentado como uma tese, ou uma conclusão, e os demais como justificativa da tese, ou premissas para a conclusão.

Normalmente argumentos são utilizados para provar ou desaprovar algum enunciado ou para convencer alguém da verdade ou da falsidade de um enunciado.
Estamos perante um argumento sempre que alguém apresenta um conjunto de razões a favor de uma ideia. Os argumentos podem ter apenas uma premissa, ou mais de duas; contudo, só podem ter uma conclusão.

Mosaico Étnico-Racial

Valorização da diversidade na escola

Para a realização o mosaico étnico-racial, solicitei que cada criança fosse ao banheiro que fica em frente a sala e que observassem suas características e anotassem em seu caderno as suas características. Após, os alunos se uniram em duplas e cada uma falou de como vê o colega, listando para ele suas características. Em seguida, realizei uma hora do conto com a história “Menina Bonita do Laço de Fita” de Ana Maria Machado. A partir da história, começamos um debate sobre nossas características e com quem nos parecemos.
Com a história, consegui chegar até o ponto que eu desejava sobre a nossa origem e nossas etnias. As crianças simplesmente adoraram a história e tinham muito para falar de suas descendências, mas ainda não falavam em etnias. Tratava-se apenas de um diálogo sem muito conhecimento étnico, mas com um interesse incrível, percebi, com isso, que um grande trabalho estava surgindo. Como as crianças já estavam bem aguçadas e com muito o que falar sobre sua descendência, lancei de tema de casa para que pesquisassem sobre sua descendência.
Percebi um certo receio de alguns em comentar que seus antepassados eram negros, então achei prudente falar da minha etnia, mostrando que sou descendente de italianos, portugueses e negros e isso realmente fez efeito; logo surgiu “eu também profe sou descendente de negros, e eu também profe...” Fiquei muito feliz com esse momento, pois acho que consegui direcionar a conversa para que todos se sentissem à vontade para falar e que sentissem orgulho da sua origem.
Solicitei que trouxessem para o dia seguinte fotos de familiares com os quais eles são parecidos ou tem algum traço semelhante. Caso não pudessem trazer fotos, pedi que questionassem sobre as características dessas pessoas para que conseguissem desenha-las.
Solicitei que colocassem a sua foto ou o desenho do seu auto-retrato no centro de uma folha e que colassem as fotos das pessoas com quem se parecem ao redor e escrevessem o que são parecidos. Foi um momento de grande envolvimento. Salientaram a cor do cabelo, dos olhos, o sorriso, a altura e até mesmo características psicológicas.
Por fim, montamos um painel no saguão. Como havia outras duas turmas também realizando esse trabalho, a socialização foi ótima. Havia três painéis diferentes, mas que tratavam de nossa descendência, de nossa origem. Muitos encontravam a sua família nos outros painéis e chamavam os colegas para mostrar que havia outros que também faziam parte de sua família. Durante a empolgação da socialização, muitos diziam que eram parecidos com o avô, que tem o cabelo como de sua mãe, que é alto como seu tio... Eles queriam mostrar aos colegas com quem eram parecidos.
Foi muito gratificante a realização dessa atividade! Mais gratificante ainda foi ver o orgulho em apresentar a sua família e mostrar aos colegas a sua descendência.




quarta-feira, 22 de abril de 2009

As leis sobre a diversidade


Com as leituras realizadas na Interdisciplinas de Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais - Unidade 2 - Políticas Públicas Brasileiras em Educação Especial e o Projeto Político - Pedagógico da Educação Inclusiva, percebi que é fundamental que pais e educadores conheçam sobre as leis que falam sobre a inclusão.
Várias leis e documentos estabelecem o direito das pessoas com necessidades especiais:
A Constituição da Republica de 1988, prevê o pleno desenvolvimento dos cidadãos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Garante também o direito de escola para todos.
A lei nº 7.853/89 define como crime recusar, suspender, adiar, cancelar ou extinguir a matrícula de um estudante por causa da sua deficiência, podendo, o infrator, sofrer a pena de um a quatro anos de prisão, mais multa.
O ECA também garante o direito à igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, sendo o Ensino Fundamental obrigatório e gratuito, garantindo também que o atendimento educacional especializado ocorra preferencialmente na rede regular de ensino, assim como também define a Convenção da Guatemala, reafirmando a urgência para providenciar uma educação que atenda às crianças, jovens e adultos com necessidades especiais.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Novas aprendizagens...

O que é o Construtivismo?




Construtivismo é uma das correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligência humana se desenvolve partindo do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações mútuas entre o indivíduo e o meio.
O Construtivismo valoriza o conhecimento prévio do aluno, propondo que ele participe ativamente do próprio aprendizado, que se dará a partir da experimentação, da pesquisa em grupo, do estímulo à dúvida e do desenvolvimento do raciocínio, entre outros procedimentos. O construtivismo enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um degrau para conquistar a aprendizagem.
O construtivismo rejeita a apresentação de conhecimentos prontos ao estudante, daí o termo "construtivismo", pelo qual se procura indicar que uma pessoa aprende melhor quando toma parte de forma direta na construção do conhecimento que adquire.
O tra­ba­lho de edu­car não deve se limi­tar a trans­mi­tir con­teú­dos, mas a favo­re­cer a ati­vi­dade men­tal do aluno. Por isso, impor­tante é não ape­nas assi­mi­lar con­cei­tos, mas tam­bém gerar ques­tio­na­men­tos, ­ampliar as ­idéias. O construtivismo condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente estranho ao universo pessoal do aluno. O pro­fes­sor cria situa­ções para que o aluno che­gue ao conhe­ci­mento.
A criança cons­trói o conhecimento a par­tir de suas des­co­ber­tas, quando em con­tato com o mundo e com os obje­tos. Por isso, não adianta ensi­nar a um aluno algo que ele ainda não tem con­di­ções inte­lec­tuais de absor­ver.
Segundo Piaget, o pen­sa­mento infan­til passa por qua­tro está­gios, desde o nas­ci­mento até o iní­cio da ado­les­cên­cia, ­quando a capa­ci­dade plena de racio­cí­nio é atin­gida.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Como avaliar um P.A?

Durante a realização do Projeto de Aprendizagem, ficava me questionando como eu poderiar avaliar um P.A quando realizado com meus alunos.

Bem sabemos que o P.A oportuniza novas formas de ensinar e aprender, mudando a maneira de apresentação dos conteúdos e ampliando as possibilidades de aquisição de informações, mas ficava com dúvidas sobre o que e como avaliar.

Nestas últimas semanas, contudo, trabalhamos a avaliação do Projeto de Aprendizagem. Assim, pude aprender alguns passos importantes para auxiliar na avaliação do Projeto. A partir destes passos, o professor pode avaliar o desenvolvimento de cada parte do projeto, mas o que eu achei mais interessante é a possibilidade do grupo avaliar o seu trabalho, rever o que foi desenvolvido e, se necessário, fazer algumas alterações de modo a aprimorá-lo, ampliando com isso, o conhecimento adquirido durante todo o processo.

Para avaliar um P.A, faz-se necessário avaliar os seguintes tópicos:

1- Sobre a Questão de Investigação:
· O projeto parte de uma questão claramente formulada e originada nas vivências e curiosidades dos sujeitos? Em outras palavras, a questão é “original”, no sentido de refletir uma curiosidade genuína do grupo, ou parece ser uma questão ligada a um repertório de temas tradicionalmente já abordados nas escolas?
· A questão é formulada de modo a impulsionar uma abertura para a exploração de novas relações ao invés de restringir a busca a uma simples resposta?


2- Sobre as certezas e dúvidas iniciais:
· Existe uma coerência lógica entre a Questão de Investigação e o que é afirmado no quadro inicial das Certezas Provisórias e das Dúvidas?


3- Processo de Desenvolvimento do Projeto:

· As certezas e dúvidas são consideradas na orientação das buscas ou são “esquecidas” durante o desenvolvimento do projeto?
· A busca de soluções para a questão eleita parte de uma sistematização criteriosa do que os sujeitos pensavam saber ("Certezas Provisórias") e do que julgavam necessário compreender ("Dúvidas Temporárias") para responder a questão?
· É possível identificar um movimento de mudanças e reformulações nas "certezas" e "dúvidas", durante a realização do projeto? Os sujeitos vão retomando as certezas e dúvidas na medida em que fazem descobertas que modificam seus conhecimentos iniciais? Ao mesmo tempo em que são encontradas soluções para as dúvidas já colocadas, são geradas novas questões e dúvidas? É possível perceber que o grupo toma consciência da existência desse processo de modificação das certezas que se aprofundam e consolidam ou se transformam em dúvidas e das dúvidas que se tornam novas certezas?


4- Sobre as buscas e a construção de novas relações (sobre procedimentos, instrumentos e fontes)
· Quais são as fontes, os instrumentos e os procedimentos usados na busca das soluções?
· Essas fontes, instrumentos e procedimentos são coerentes com a questão proposta, com as certezas e com as dúvidas?
· A busca e seleção de informações e a escolha dos procedimentos (enquetes, entrevistas, observações, experimentos, leituras) abrem para a construção de novas relações, novas articulações entre conceitos e idéias (novas formas de explorar as questões, utilização de novos instrumentos etc), por exemplo?
· Há evidências de rompimentos nos limites disciplinares?
· Observam-se aprendizagens relevantes relacionadas com os conteúdos e conceitos abordados no projeto?


5- Sobre os mapas conceituais
· Os mapas conceituais mostram uma evolução na apropriação do conhecimento? (especificamente nas relações e conceitos surgidos na busca de soluções)
· O mapa final representa os conceitos e relações que constam na síntese do projeto (resposta à pergunta principal)?


6- Sobre o conteúdo publicado
· Os textos que compõem o projeto formam um conjunto coerente que permite ao leitor acompanhar o desenrolar da investigação realizada?
· O material recolhido e elaborado no projeto é relevante e focado no problema proposto?
· O conjunto de informações recolhidas foi suficientemente trabalhado?
· O material é apresentado em forma de hipertexto permitindo diferentes navegações?
· Os textos produzidos pelo grupo são originais e refletem as características do grupo?
· As referências e citações estão clara e corretamente colocadas e identificadas?
· As imagens e vídeos, eventualmente publicados, contribuem para a compreensão do conteúdo?
· As certezas provisórias foram validadas?
· As dúvidas temporárias foram esclarecidas?
· Há uma síntese parcial ou final? E ela responde à Questão de Investigação?


7- Sobre a aprendizagem cooperativa
· Que tipos de registros aparecem com maior frequência: combinações, informações, sugestões, etc..?
· Os registros do processo mostram a riqueza do processo de aprendizagem do grupo, evidenciando um trabalho cooperativo?
· É possível identificar, pelos registros, interações virtuais ou presenciais com especialistas ou outras pessoas, fora do grupo, na busca por contribuições para o projeto?


8 – Sobre a apresentação do trabalho
· A organização do site facilita o acompanhamento do projeto?
· Foi adotado um padrão de letras (tamanhos e cores) que facilita a leitura?
· O site busca uma interação com o leitor?

Identificando Epistemologias

Modelos Pedagógicos e Modelos Epistemológicos



A leitura do texto Modelos Pedagógicos e Modelos Epistemológicos, me levou a entender melhor como está estruturado a relação ensino/aprendizagem escolar. Fazendo um paralelo entre os três modelos pedagógicos, podemos observar as diferenças no resultado final do processo de aprendizagem. O autor Fernando Becker nos apresenta os modelos pedagógicos e como tais modelos são sustentados por uma determinada epistemologia.


Pedagogia diretiva

“Não há nada no nosso intelecto que não tenha entrado lá através dos nossos sentidos”.



  • O conhecimento é transmitido para o aluno.

  • Professor é o detentor do saber.

  • O indivíduo é uma folha de papel em branco não somente ao nascer, mas frente a cada novo conteúdo.

  • O conhecimento vem do meio físico ou social.

  • Epistemologia = empirismo


    Pedagogia não-diretiva


  • O professor tem a função de auxiliar/facilitador do aluno.

  • Traz à consciência o saber que o aluno já possui.

  • O aluno já traz o saber que precisa desenvolver.

  • Aprende por si mesmo.

  • O aluno aprende conforme sua herança genética

  • Regime do deixa fazer.


    Pedagogia relacional

    O conhecimento novo é construído através de:

  • Ação do aluno sobre material significativo para ele (assimilação).

  • Respostas do aluno para si mesmo diante das perturbações (acomodação) provocadas pela assimilação. Reflexionamento e reflexão.

  • Apropriação não mais do material, mas dos mecanismos de suas ações sobre esse material..

  • Professor ensina-aprende, aluno aprende-ensina.

  • O aluno não é passivo, ele interage integralmente com o meio.

domingo, 5 de abril de 2009

“Sou a continuação de um fio que nasceu há muito tempo atrás...”

Essa frase me fez pensar muito sobre minha ancestralidade e, principalmente, me impulsionou na busca de dados sobre meus descendentes. Da minha família materna, conheço o início deste fio, desde a sua partida da Itália até a continuação aqui no Brasil, até os dias de hoje. Meu nono sempre teve muito orgulho em contar histórias sobre seus antepassados, a chegada destes no Brasil, o que fizeram, como enfrentaram os primeiros tempos... Ele é um verdadeiro contador de histórias.
Os pais de minha avó paterna sempre deixaram bem explícitas a sua descendência portuguesa, desde hábitos culinários até a sua aparência física, comprovada no sobrenome tipicamente português.
Mas ainda há muitas incógnitas sobre os pais de meu avô paterno, ainda há muitas perguntas sem respostas, muitas feições que ainda não sei ao certo de onde descendem. Pouco sabemos sobre a descendência de meu avô paterno, apenas acreditamos na sua descendência negra devido à cor da pele de seu pai (meu bisavô) e de seus tios, mas não há nada além de hipóteses.
Isso me causou uma grande vontade de pesquisar, de saber um pouco mais sobre ele e consequentemente, sobre mim também.
Hoje, sei de minha origem italiana, portuguesa e possivelmente, negra.
Tenho muito orgulho de olhar as fotos de meus antepassados, saber sua história, sua origem e reconhecer em mim a continuação deste fio.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Vale a pena ler...

Estou participando de uma Formação Continuada em Estudos Iniciais em Psicopedagogia na Feevale e na primeira aula lemos e debatemos um texto que me emocionou...

Gostaria de compartilhar com vocês este texto, pois ele nos dá uma grande lição de vida e nos faz pensar muito sobre as possibilidades de inclusão.



O dia em que finalmente chorei




Eu não chorei quando soube que era mãe de uma criança mentalmente limitada. Apenas me sentei e não disse qualquer coisa quando meu marido e eu fomos informados que Kristi era - como suspeitávamos – deficiente mental.
- Vá em frente e chore. - O médico aconselhou amavelmente - Ajuda a prevenir sérias dificuldades emocionais.
Apesar das sérias dificuldades, eu não chorei nem durante os meses que se seguiram.
Quando Kristi estava com idade para ir à escola, sete anos, nós a matriculamos no jardim de infância da escola de nossa vizinhança. Eu poderia ter chorado no dia em que a deixei naquela sala cheia de seguras, ansiosas e espertas crianças de cinco anos.
Kristi passava horas e horas brincando sozinha, mas naquele momento, quando era a criança "diferente" entre outras vinte, estava provavelmente mais solitária do que nunca.
Entretanto, coisas positivas começaram a acontecer para Kristi em sua escola, e para seus coleguinhas, também.
Quando se gabavam de suas próprias realizações, os coleguinhas de Kristi sempre tinham prazer de elogia- la também:
- Kristi conseguiu soletrar direito todas as suas palavras hoje.
No segundo ano de Kristi na escola, enfrentou uma experiência traumática. Uma apresentação pública, finalizando o ano, que tinha uma apresentação musical e uma competição de atividades físicas. Kristi estava muito atrás em ambos, música e coordenação motora.
No dia da apresentação, Kristi fingiu estar doente. Desesperadamente eu quis mantê- la em c asa. Por que deixar Kristi falhar em um ginásio cheio de pais, de estudantes e professores? Que simples solução seria apenas deixar minha criança em casa. Certamente faltar a uma apresentação não podia importar.
Mas minha consciência não me deixava sair desta situação assim tão facilmente. Então, eu praticamente enfiei uma pálida e relutante Kristi dentro do ônibus escolar e eu mesma é que passei a estar doente. Mas como eu havia forçado minha filha a ir à escola, agora eu me forçava a ir à tal apresentação.
Parecia que nunca chegava a hora do grupo de Kristi se apresentar. Quando finalmente vieram, eu descobri porque Kristi estava preocupada.
Sua turma foi dividida em equipes. Com suas reações débeis, lentas e desajeitadas, certamente atrasaria a sua equipe.
O desempenho foi surpreendentemente bom, até que chegou a hora da corrida de sacos. Agora cada criança tinha que entrar em um saco, ir pulando dentro do saco até uma linha, voltar e sair do saco.
Eu observei Kristi parada atrás de sua equipe, olhando nervosa. Mas quando chegou a vez de Kristi, o menino mais alto da turma foi para trás de Kristi e colocou suas mãos em sua cintura. Outros dois meninos se abaixaram ao seu lado. Então, o menino mais alto levantou Kristi e os outros dois ajeitaram o saco.
Uma menina segurou a mão de Kristi e a apoiou até que Kristi ganhasse equilíbrio. E então, ela foi pulando, sorrindo e orgulhosa. Diante da torcida, do apoio e do entusiasmo dos professores, dos estudantes e dos pais, eu agradeci à Deus por aquelas pessoas amáveis e compreensivas que tornaram possível que minha inabilitada filha fosse um ser humano como seus companheiros.
Então, finalmente eu chorei.




(texto de Meg Hill T radução de SergioBarros)

Reflexões sobre a Inclusão...


"Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. "

Artigo 1° da Declaração Universal dos Direitos Humanos




Certo dia estava lendo uma reportagem sobre inclusão e a importância para uma criança com necessidades especiais freqüentar a escola regular, pois ao conviver com os colegas elas também aprendem. Os alunos com essas necessidades são estímulos para o professor ir em busca de novas maneiras de ensinar e meios de se qualificar, mas eu me pergunto: até que ponto nossas escolas estão preparadas para atender a essas crianças?? Até que ponto nós, docentes, estamos preparados para trabalhar com alunos de inclusão.
Eu acredito que a escola só ensina quando fica atenta às necessidades de cada indivíduo dentro de seu ritmo e suas limitações e não basta apenas dizer que a escola está preparada para receber crianças com necessidades especiais se não dispõe de rampas de acesso, material para crianças cegas, pessoas que dominam Libras etc. Não se pode escolher o tipo de necessidade que aceitamos em nossa escola. Cada deficiência requer materiais e estratégias específicas.
Sabemos que todos tem a ganhar com a inclusão, mas acredito que os órgão públicos precisam qualificar o espaço físico e material das escolas. A escola que realmente incluiu se preocupa em disponibilizar ferramentas para o professor trabalhar, pois nenhuma deficiência pode determinar as possibilidades de cada indivíduo, é preciso, contudo, que o meio seja adequado, com equipamentos e recursos que facilitem a vida dessas crianças.
Infelizmente, para muitas instituições a inclusão ainda é vista como uma maneira de colocar uma criança com necessidade especial para dentro de uma sala de aula sem nenhum acompanhamento, sem material diferenciado e sem nenhum apoio ao professor, que muitas vezes tem turmas lotadas e com muitos outros problemas de dificuldades de aprendizagem e que não são vistos como uma necessidade especial.