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domingo, 25 de novembro de 2007

Como percebi uma certa proximidade com as obras de Fernanda Laguna com a realidade de minhas turmas, resolvi pesquisar um pouco mais sobre ela, para também poder apresentá-la para meus alunos.
Sendo assim, encontrei algumas informações:



Fernanda Laguna nasceu em 1972, em Buenos Aires, Argentina. É professora de desenho e pintura na Escola Nacional de Belas Artes Prilidiano Pueyrredón. Em 2006 sua obra foi adquirida pelo Museu de Arte Latino-americano (MALBA), Buenos Aires, para fazer parte de sua coleção. As exposições individuais da artista foram: Fernanda Laguna no Espacio Tatlin, Buenos Aires; De Todo, Fundação Start, Buenos Aires (2000) e, nesse mesmo ano e local, Hernanda Vacun, Galeria Miniatura Minitienda. E assim sucedem-se participações em exposições coletivas no Uruguai, Argentina e Alemanha. Em 1999 abre junto com Cecilia Pavón o espaço de arte Belleza y Felicidad e realiza eventos de música, poesia, performance e outras mídias. Desde 1998 dirige com Cecília Pavón um editorial de poesia e conto de mesmo nome. Entre os anos 2000-2002 edita a revista mensal Belleza y felicidad.


Algumas obras de Fernanda Laguna:



Aplicando alguns conhecimentos...

O projeto curatorial da 6ª Bienal do Mercosul é composto por quatro projetos e um programa pedagógico.
Inicialmente, fomos à Mostra Conversas, que é uma exposição explorando a geografia cultural através de relações específicas entre obras de arte escolhidas por artistas.
Nesta mostra, fiquei conhecendo um espaço que me chamou a atenção pela possível relação que eu poderia fazer com meus alunos. Ali havia uma conversa entre as obras de Fernanda Laguna, Jorge Gumier Maier e Cecília Pavón que compartilham de uma estética que se apresenta como naif ou anti-conceitual, para o qual o primordial são sensações e interioridade do artista, ou seja, uma arte que existe para expressar os sentimentos, sem se importar com a opinião dos outros, se vão gostar ou não, se vão achar bonito ou não. Alberto Greco, artista dos anos 60 e 70, completa esse quarteto com uma obra em que a ‘arte’ está na seleção ou no enquadramento do cotidiano.
Essa mostra me deu algumas idéias de trabalhar a arte como uma maneira para meus alunos expressar seus sentimentos, sem uma preocupação com o belo e o bonito aos olhos dos outros, mas sim como Fernanda Laguna que transformou a sua obra em uma forma de expor seus sentimentos de maneira que pareça um diário.
Para a arte não conceitual, as obras devem fazer sentido apenas para quem a criou e isso que eu gostaria de propor às minhas turmas: uma exposição de sentimentos e de coisas que fizessem sentido para eles, sem se preocupar com a opinião dos colegas, (o que é muito comum entre as crianças) pois a arte seria para eles e não para os outros, assim, acredito que incentivaria a turma a valorizar mais as produções dos colegas, em vez de criticá-las.

Visitando a Bienal...

Durante a visita à Bienal do Mercosul, percebi que muitíssimas das obras não cumprem com as expectativas tradicionais da arte baseada na pintura, no desenho e na escultura. Muitas obras sequer cumprem com a suposição de que a arte exposta deva ser visual. Algumas obras utilizam sons, outras utilizam imagens em movimento e algumas ficam apenas na imaginação.
Além de prestigiar a Bienal, eu também pretendia, com a visitação, encontrar idéias que pudesse aplicar com minhas turmas a fim de trazê-las mais próximas a proposta da arte contemporânea e, dessa forma, fazer com que meus alunos percebessem a amplitude das artes, considerando seus mais variados movimentos e expressões. Na revista Nova Escola do mês de setembro, o curador da Bienal do Mercosul, Luis Camnitzer, afirma que “os professores podem se inspirar na curadoria pedagógica da mostra para preparar aulas mais criativas.”