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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Trocando experiências na aula da EJA...

Em nossa última aula de EJA, apresentamos as conclusões obtidas ao longo do nosso trabalho de pesquisa nas escolas onde há a Educação de Jovens e Adultos. Para mim, ficou evidente que toda a teoria estudada foi fundamental para a compreensão dos dados coletados com os alunos da EJA.
De modo geral, conseguimos ver o aluno da EJA com um olhar diferente, pois aprendemos que este aluno é normalmente aquele que foi excluído da escola ou que se excluiu, por ter problemas de comportamento, dificuldades de aprendizagem, repetências consecutivas, desinteresse...
Na teoria de Martha K. de Oliveira (p59) vimos que “o aluno da EJA geralmente o migrante que chega às grandes metrópoles provenientes de áreas rurais empobrecidas, filho de trabalhadores rurais não qualificados e com baixo nível de instrução escolar.” Afirmação que constatamos com as entrevistas feitas na saída de campo, pois apenas um aluno é Sapiranguense, os demais vieram em busca de emprego. Alguns começaram a trabalhar ainda crianças e não tiveram oportunidade de estudar.
Enfim, deparamos-nos com diversas realidades, idades diferentes e cada um com uma história de vida diferente e almejam uma vida mais digna melhor. Os alunos da EJA que entrevistamos estão cientes de que para conseguir um emprego melhor ou até mesmo para poder se comunicar ou ler uma revista, bula de um remédio e ajudar seu filho nos deveres de casa é necessário estudar.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Desafios da Educação de Jovens e Adultos


Durante o fórum da Interdisciplina de Educação de Jovens e Adultos no Brasil, debatemos muito sobre o grande desafio e a grande responsabilidade de ser um professor da EJA. Digo que ser professor da EJA é uma grande desafio, pois para os adultos das camadas populares, a escolarização tem uma prioridade bem menor do que as questões de sobrevivência, como habitação, saúde, emprego, alimentação, transporte.
Mas, com a leitura do texto “Alfabetização de adultos: ainda um desafio” de Hara Regina, percebi que trazendo o cotidiano destes adultos para a sala de aula, até mesmo os alunos com mais dificuldade de aprendizagem, com pouca oralidade, poderão falar e participar com segurança, fazendo com que as dificuldades diminuam, pois quando se toma como ponto de partida o que estes adultos sabem, em vez de partir do que ignoram, percebe-se que a aprendizagem é construída pelo sujeito através das suas relações com o meio, assim como ocorre com as crianças.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Parecer CEB

Eu estava lendo o Parecer CEB nº 11/2000 – Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos, que tem como relator Carlos Roberto Jamil Cury e me chamou a atenção o item que fala sobre a formação dos docentes voltados para EJA.
Segundo o Parecer, a formação dos docentes não só da EJA, mas de qualquer nível ou modalidade, deve ter como meta o disposto no art.22 da LDB, que estipula que a finalidade da educação deve ser desenvolver o educando, dando-lhe formação indispensável para o exercício de sua cidadania e meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores, atendendo também ao art. 61 da mesma, que deixa claro que a formação dos docentes deve atender aos diferentes níveis e modalidades de ensino e às características de cada fase de desenvolvimento do educando.
O Profissional que atenderá a EJA deve estar preparado para interagir empaticamente com os estudantes e para exercer o diálogo. Os docentes deverão estar preparados para elaborar projetos pedagógicos que darão uma significação social para as competências de cada um, articulando conhecimentos, habilidades e valores. O professor da EJA precisa receber aperfeiçoamento específico para ter o cuidado de não infantilizar os métodos, conteúdos e processos da EJA.
Há a exigência de uma formação específica para docentes da EJA a fim de que haja uma relação pedagógica com sujeitos, trabalhadores ou não, propiciando a permanência na escola, que acontecerá por meio de conteúdos trabalhados de forma diferenciada para atender ao perfil deste estudante, respeitando as especificidades da EJA, as características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.
Dessa forma, os cursos de formação docente e as licenciaturas devem habilitar os profissionais para criar correlações entre os conteúdos das áreas de conhecimento e o universo de valores e modos de vida dos alunos da EJA, mas na prática, não sei se é exatamente isso que acontece. Eu, por exemplo, quando fiz o concurso “cai de pára-quedas” em uma sala de EJA, 3ª e 4ª série, mas sem preparo nenhum para atender às necessidades desta clientela. Ao longo do Magistério não tive nenhuma formação/orientação específica para EJA e, pelo que percebo nas estagiárias que chegam em minha escola, ainda não há este preparo. Mas isso não é apenas no Magistério que percebo, pois ao conversar com colegas que cursam ou já estão formadas em alguma licenciatura, constatei que também não tiveram preparo para conseguir articular conhecimentos, habilidades e valores dos alunos da EJA com os conteúdos a serem desenvolvidos.
Hoje, lamento não ter tido uma preparação adequada para trabalhar com a EJA e reconheço que, ao iniciar minha carreira com uma turma de EJA, muito deixei a desejar por falta de experiência, afinal, eu era a pessoa mais nova da sala!